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domingo, 12 de abril de 2015

Pessoal | O Estado das coisas


É inevitável, falar disto aqui no blogue com vocês, ou à volta de uma mesa com o meu grupo de amigos; ou com o meu círculo familiar, as pessoas mais próximas. Com o namorado, que me acompanha à anos. À anos que estamos juntos e assim pretendemos continuar, a apoiar-nos um ao outro, a rir das piadas um do outro bem como de secar as lágrimas de ambos nas piores alturas. É inevitável falar nisto com quem quer que seja, afinal estamos todos a passar pelo mesmo, todos temos alguém que já tomou a decisão, ou conhece alguém que está de momento a pensar em fazer isso.

Este país, ou melhor, quem governa este país, está farto de me tirar coisas, sinto isso na pele desde que acabei o secundário. Sonhos, o meu futuro, as minhas ambições, familiares e amigos. Não tarda muito, os meus dedos não chegam para contar as pessoas do meu circulo familiar e de pessoas com quem lido diariamente que já se foram embora, que desistiram de lutar e de pedir por condições e viraram as costas ao seu país em busca de uma vida melhor, num país melhor, governado por pessoas lúcidas e conscientes.

Estou à espera do dia em que também eu vou ser obrigada a partir. Daqui a uns dias, semanas, mais duas pessoas próximas se vão embora, familiares. Tenho bem presente que isto não vai ficar por aqui, muitos mais irão depois, seguir as suas vidas, em busca de condições que aqui não têm. É um ciclo.. vão embora dois, depois vai mais um, depois vai outro e depois vão saindo pequenos grupos, família a família.. 

Enquanto isto, eu estou aqui sentada à espera, meses e meses, à espera não sei do quê sinceramente, mas encontro-me à espera, de algo que me caia do céu e me faça esquecer esta ideia maluca (talvez não seja assim tão maluca dadas as circunstâncias). À espera porque sinceramente, não há mais nada que eu possa fazer, a não ser chegar ao cúmulo do desespero e ir para as ruas chorar a pedir que me dêem trabalho, com um ordenado minimamente decente, que pelo menos dê para sobreviver se não for pedir muito.. 
Enquanto isto, é ver os pais, desiludidos, preocupados, ansiosos, nervosos, zangados e alguns até desesperados com toda esta situação que se arrasta... Situação que eles próprios, por mais queiram, não podem fazer nada para ajudar a melhorar, porque até para eles as coisas não estão fáceis e cada vez mais tendem a piorar.

Por uma vez na vida, gostava que os portugueses levantassem o rabo do sofá e fizessem algo por eles próprios, que se juntassem e fizessem barulho, barulho a sério, que causasse impacto, que causasse o pânico, porque assim podia ser que alguém nos desse ouvidos e fizesse alguma coisa para mudar o rumo do barco. 

Isto assim, não vai a lado nenhum..



C.C 

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C.C